Já não escrevia há bastante tempo. Mas isso é pouco importante. O que importa agora, é que eu escreva.
Não tenho feito, dito, escrito, pensado, agido, comido, ouvido, digerido, sentido, nada de jeito. Dias normais como tantos outros. Queria e devia estar a escrever'vos sobre o perfeito fim-de-semana que eu tive, mas não quero. São intimidades com morangos que não precisam das vossas natas. Podia dizer'vos que o início das minhas férias está a ser um espectáculo, mas estaria a aldrabar'vos. Primeiro dia de férias: Sonhei que traía, o que significa que vêm aí obstáculos. E eles, como estava previsto pelo sonho, chegaram. Tentei resolver todos, um por um. Uns ficaram para trás, um ergueu'se ainda mais alto, e outros permaneceram iguais. São lutas constantes que vou ter que travar. Amarguras impossíveis de aduçar. Queria poder contar tudo e ficar bem. Poder transpor tudo o que sinto, tudo o que penso, tudo o que foi alguma vez realidade ou sonho, em letras, aqui, no meu blog. Mas tamanho objectivo, é praticamente impossível. Tenho que me contentar com a lividez que estas poucas letras me dão. Tenho que aguentar com tudo isto, mais uma vez. São coisas confusas de tão simples que são, esquecimentos que nunca deviam de ser relembrados por terem sido esquecidos, desprezos que deviam ser de alta prioridade, desejos complicados de alcançar. O poder da escrita é completamente espantoso. Talvez seja psicológico, talvez exista mesmo magia nas letras que eu escrevo.. Sim, há magia. Ainda nada escrevi, ainda nada expressei, e um peso foi liberto dos meus ombros. Tudo continua cá, mas com outro aspecto, com um peso diferente. É como se as teclas do portatil, tivessem sugado tudo para dentro de si. Podiam também sugar as dores de crescimento que em mim habitam, mas enfim. Tenho que ir tomar banho e pensar em tudo. Tenho que pensar de deva dormir ou vir aqui para mais uma sessão de tranquilidade. Mas por agora, é o fim.