sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Caíu-me a colher -.-

Aconteceu.
Avisaram-nos e nós não quisemos ouvir.
Agora que aconteceu, toda a gente quer voltar atrás no tempo.
Mas é tarde.
Curiosamente aconteceu semelhante à história do "O Pedro e o Lobo".
Só nos avisaram uma vez e ninguém acreditou.
Agora os mortos chegaram.

Chegou a destruição.
Chegou o caos.
Mas acima de tudo, e o mais importante, chegou a morte.
A destruição veio do mar.
O caos reinou na costa.
E os mortos por aí começaram a andar.
Vinham em carros, ao colo dos vivos.
Vinham com as águas, vinham pelos rios.

Morreu quem merecia morrer.
Sofre, quem merece sofrer.
Quem viveu para contar, também o merecia.
E quem acreditou que isto ia acontecer, foi esperto!

Eu simplesmente fiquei em casa à espera de tudo.
Agora que aconteceu tenho um sorriso na cara e uma lágrima nos olhos.
Eu acreditei e sobrevivi.
Sobrevivi mais um dia, e sorrio.
Tenho pena de quem não acreditou.
Para eles, tudo acabou hoje.
O sofrimento causado pela ignorância é muito mau, choro por vocês.

Mas vá, nada de dramatizações!
Morreram e daí?
Hão-de nascer muitos mais!
As choradeiras de nada nos servem.
Calem-se e vivam.

Eu simplesmente aproveito o acontecimento.
Q e eu viemos para a minha janela ver..
Ver quem vem rio acima.
Ver desconhecidos passar.
Ver gente a olhar.
Ver gente a dormir.
Ver gente a boiar.
Ver mortos a passear.
Assim é.
De gelado nas mãos, olhamos o rio.
O rio e os mortos que por ele caminham.

Rest in peace and come back please (H)

PS: Antes que perguntem o porquê do título, eu vos digo que simplesmente não sabia o que por e como estou a comer 1k de iogurte e a colher caíu-me ao chão (-.-) quando ia começar a escrever.. Puf@

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

I found it !

Descobri !
Finalmente descobri a música que há tanto procuro *-*

All Night Long - Lionel Richie

Mas continuei a sorrir !

Querem saber o PERFEITO dia que tive?

Ora bem.
Começei por escrever um pouco detalhadamente as coisas, mas cansei-me xD.
Fica por tópicos:
-Levantei-me mais cedo que o despertador --' e deitei-me logo de seguida xD
-Acordei com uma afta no lábio e ainda com dores de gartanta.
-Até à escola fui decorando a minha apresentação de inglês.
-Na escola "acordo" com o stor de mat --'
-Quimica: MARAVILHA !
-Inglês e a minha apresentação que foi uma treta xD ahah --'
-Hora de almoço.. bom:
   -a best cuspiu a coca-cola para cima de mim com uma piada xD.
   -aquela gentinha reles decidiu mandar bocas again --' (não sabem fazer mais nada na vida, coitados).
-Biologia. A stora embicou comigo. No bom sentido, mas não gostei que me tivesse deixado ao sol a derreter! grrh. E ainda criou a história de eu e a gaby andarmos ;]
-Na paragem fui "assaltado" --' Coisa mais estúpida e engraçada ! ahah xD Logo depois de fazerem o seu trabalhinho a polícia apanha-os :c
-E até agora tenho estado com fome (apesar de já ter comido), estou a ficar outra vez gasoso, e tenho que ir tomar banho --'

Vá, o dia foi um bocado desgastante visto que as únicas coisas que não me doíam eram a cabeça e o pênis ! xD
De resto..nem vos digo nada --'
Mas apesar de tudo, andei sempre com um sorrisão azul na cara : D

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A consciência tem peso.

Já estava.
Não havia volta a dar.
Ela já o tinha concretizado.
Nada estava sujo, nada tinha sangue.
Estava a ser uma morte dolorosa, mas limpa.

Um ano passou.
Um doloroso e lento ano.
Não durmo nada, choro tanto, sofro imenso!
Ele morreu e eu igualmente o fiz.
Morri para tudo.
Eu traí-o.
Eu larguei-o.
Eu maltratei-o.
Eu matei-o completamente por dentro.
Mas senti-me bem ao fazê-lo.
Tinha perdido o interesse nele e não havia mais nada a fazer.
Sei que fui má, sei que as minhas acções nunca deviam ter sido concretizadas, mas foram.
Agora, todos os dias, choro por ti.

Os pés ainda tremiam.
Sinal que ainda viva ela estava.
Aliás, ela toda se controcia.
Respirar? Mentira.
Já só restava o ar que ainda tinha nos pulmões.
O cinto continuava esticado e esticado permanecerá durante bastante tempo..


Viver é quase um fardo.
Um castigo!
Não sei porque assim é.
Serão remorsos?
Serão culpas?
Será o karma?
Não sei, não sei, não sei!
Só sei que morta estou bem melhor e assim será.
Vim para a casa do campo.
Sabem que vim, mas não sabem quanto tempo ia cá permanecer.
Vizinhos não há, como sabem.
Portanto nada me impedirá de o fazer.

Um zumbido agudo era tudo o que ecoava naquela cabeça.
O corpo, devagar baloiçava.
Parecia já morta, mas não.
Os pés ainda pouco tremiam.
Já não restava ar nenhum naquele corpo inerte.
Era uma questão de segundos até tudo paralizar e ela morrer.

Não sei quando vão encontrar esta carta.
Mas já nada poderam fazer.
O meu último pedido é que escrevam na minha laje "..."

Paralizou.
Morreu. 
Sim ela está mesmo morta.
Já não há sangue a correr pelas estradas daquele corpo.
Já não há movimento naquele mundo.
A alma fora dele se encontra.
O último suspiro já foi lançado.
Agora só existe um corpo pendurado pelo tecto que baloiça para frente, para trás, para a frente, para trás..

Dois messes passaram até que a encontraram.
Em putrefacção o corpo estava.
Depois da polícia encontrar o corpo, depois da família ter vindo buscar o corpo, depois de tudo estar preparado, o funeral chegou.
Chegou como outro dia qualquer.
Mas este chegou violente e feio.
Chuvia tão intensamente, trovejava tão loucamente, o vento soprava velozmente..
Mas mesmo assim toda a família/conhecidos foram ao funeral.
Foi posto juntamente com o corpo a carta que ele próprio tinha escrito.
E assim se decorreu um funeral como todos os outros..

O último desejo dela foi concretizado.
Ainda hoje, a laje dela, é única naquele cemitério.
Naquele e em muitos outros..
Não é por ser maior ou menor.
Por estar mais ou menos bem trabalhada.
Não é nada disso.
Aliás, havia (e há) lajes bem melhores naquele cemitério.
Mas sabem..
Não são todas as lajes que tem escrito "Aqui jaz, mais um corpo no meio de tantos."

PS: Quem lê regularmente este blog, já deve ter percebido que este texto é uma continuação do texto anterior Aqui jaz, mais um corpo no meio de tantos. Para quem não leu o texto anterior, não o aconselho nem nada do género. Queres ler lê, se não tiveres para esse trabalho, esqueçe lá isso. Nada perdes <3


sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Aqui jaz, mais um corpo no meio de tantos.

O vento itensificou.
O frio, avassalador como estava, começou a apoderar-se dele.
Sem a sua essência, começou a gelar.
Os dentes a tremer.
A pele a empalidecer.

E sinceramente não sei mais.
Só sei que por causa da tua estupidez, da tua ignorãncia, do teu egoísmo!, eu naquele dia, naquele momento, gelei.
E sabes porquê?
Porque até aquele tempo, era o teu calor que me mantinha vivo.
O teu hálito fresco que me refrescava.
Eras tu quem mantinha a minha alma dentro do meu corpo.

Agora sem ti, quem cuidará disso?
Ninguém.
Não há ninguém com um coração tão calorento que possa afastar o frio.
Não há toque tão fresco como o teu que possa impedir a minha temperatura de disparar.
Não há forma de manter minha alma no sítio.
Não há forma de não deitar o meu último suspiro.

Consegues viver com isto?
Que a causa da minha morte és tu?
Desejo com todas as forças que me restam, que vivas com sofrimento.
Porque para onde vou, não há dor.
E alguém tem que pagar pela minha morte.

Nos últimos segundos de vida que me restaram, eu falei.
Falei e disse: "Fui.".
O último momento da minha vida foi tão simples quanto isso.
Um despedimento de tudo e de todos.

O coração parou.
Ele arfou.
Um último contorcer de dor invadiu aquele corpo quase sem vida.
Inspirou.
Expirou.
E com o último suspiro, a sua alma largou aquele corpo.
Saíu com toda a calma e juntou-se a todas as outras encontradas no ar.

[No enterro, ela estava presente.]

Como toda a gente fez, ela chorou.
Como toda a gente fez, ela soluçou.
Como toda a gente fez, ela se lamentou.
Como toda a gente fez, ela fungou.
E como toda a gente fez, ela se diriguiu ao caixão e se despediu.
Mas, sabe lá o diabo porquê, ela quis ser a última.

A família foi embora.
Os amigos para casa foram.
O padre, pregar para outras bandas, teve que ir.
Restou o coveiro.
Aproximou-se do caixão já fechado.
Abriu-o.
Olhou-o nos olhos e despediu-se:
"Aqui jaz, mais um corpo no meio de tantos."